Todo mundo quer ter sua própria App Store

Recentemente a TIM anunciou em parceria com a Qualcomm a a abertura de uma App Store. Há algum tempo atrás (na época da Campus Party) a Vivo fez o mesmo.

Mas a questão é a seguinte: O papel de distribuir aplicativos para celulares deve ficar na mão das operadoras ou das fabricantes (seja do aparelho ou do sistema operacional)?

A resposta pode ser obtida olhando um pouco para a história. Nos Estados Unidos onde operadoras CDMA dominavam até pouco tempo (e ainda são bem fortes) a Qualcomm sempre gerenciou a distribuição de conteúdo para a plataforma Brew. Na Europa, onde reina o GSM, também houveram parcerias entre as operadoras e outras empresas para distribuição de conteúdo (houve por exemplo uma parceria entre Vodafone e Opera para desenvolvimento de Widgets para os telefones da operadora). O resultado é que nenhuma dessas iniciativas foi realmente um sucesso.

A distribuição de aplicativos para celulares só começou a bombar quando a Apple introduziu sua App Store, integrada a já bem sucedida iTunes Music Store e centralizou a distribuição de aplicativos para o iPhone e o iPod Touch. Logo consolidado o sucesso do modelo, todos os outros grandes fabricantes de plataforma para smartphones lançaram ou adaptaram suas próprias App Stores aos moldes da loja da Apple. Android tem o Android Market, Blackberry tem a App World, Palm tem o App Catalog, o Windows Phone tem o Windows Marketplace e finalmente a Nokia tem a Ovi Store.

Mas por que as lojas de aplicativos associadas aos fabricantes costumam dar mais certo que as associadas às operadoras?

APIs e SDKs

Sendo o fabricante da plataforma, as empresas podem oferecer ferramentas de desenvolvimento que permitam criar aplicativos totalmente integrados e que utilizem todos os recursos daquela plataforma. As fabricantes que além da plataforma possuem hardware relativamente homogêneo possuem mais vantagens ainda. Apple e Palm são as únicas que se enquadram nessa categoria, possuindo poucos modelos de aparelho, todos com interface touchscreen totalmente coerente entre um modelo e outro. A SDK do iPhone por exemplo, permite acessar todos os recursos da plataforma (na verdade quase todos, pois os aplicativos que não são os da Apple não podem rodar em background). Obviamente existem pequenas diferenças entre um aparelho e outro como ausência de bússsola, gps e câmera dependendo do modelo. Mas nada que se compare à vida de um desenvolverdor J2ME que precisa se preocupar com telefones de teclado e touchscreen, quantidade de teclas dinâmicas, memória e processamento, tamanho da tela e por aí vai. Esse mundo heterogêneo é uma das razões para a decadência dessa tecnologia. A ideologia Sun/Adobe de desenvolvimento multiplataforma simplesmente não funcionou com dispositivos móveis. (Pessoalmente eu tenho minhas restrições até com o desenvolvimento multiplataforma pra Desktop. Tentar fazer um aplicativo que funcione em tudo é equivalente a fazer um que não funciona direito em nada. Quem usa Mac sabe bem que nada se compara um aplicativo feito em Objective C e Cocoa. Multiplataforma bom, só se for via web!) Por outro lado, as operadores não agregam valor ao desenvolvimento de aplicativos móveis, fornecendo no máximo APIs redundantes como acesso a envio de SMS.

Divisão de Receita

Aqui a matemática é muito simples. Quanto mais camadas entre o desenvolvedor e o consumidor pior para ambos. No modelo Brew por exemplo, a receita é dividida entre o desenvolvedor, a Qualcomm e a operadora enquanto no modelo App Store é só entre a Apple e o desenvolvedor. Parece muito a taxa de 30% que a Apple cobra do valor de cada aplicativo, mas quem desenvolve para a plataforma garante que mesmo assim é o modelo mais lucrativo além de possuir aplicativos mais em conta para o consumidor final.

Distribuição Centralizada

Mesmo com suas App Stores, as operadoras possuem dificuldades de centralizar a distribuição de aplicativos. Concorrem com outras empresas e aplicativos piratas transferidos via USB. O modelo mão de ferro da Apple em relação a App Store pode não agradar todo mundo mas pelo menos consegue manter um ecossistema saudável em torno de sua plataforma.

Além desses motivos ainda tenho mais um argumento para defender minha opinião de que nossas queridas operadoras estão entrando num barco furado: Estamos no Brasil! Aqui a enorme maioria da base é pré paga e pior, celular pai de santo é o que mais tem. Então quando a TIM diz “Abranger uma base de 40 milhões de clientes” exclua uns 35 milhões. Mais um, Brasileiro não têm hábito de pagar por software. Ou pirateiam ou ficam com versões gratuitas. Mesmo no iPhone que segundo a Apple possui mais usuários dispostos a gastar com conteúdo do que de outras plataformas, não costumo ver muita gente baixando aplicativos pagos por aqui. Além do mais a internet móvel brasileira é cara e ruim e qualquer aplicativo que se preze precisa se conectar nem que seja para fazer atualização.

Aplicativos pagos e gratuitos por plataforma

Por fim, excluindo-se as tecnologias nativas de cada plataforma de smartphone sobra o J2ME que não possui nenhum aplicativo pago de sucesso além de joguinhos que pegam carona no sucesso de alguma franquia. Como o público alvo dessas lojas da TIM e Vivo são desenvolvedores independentes que não têm condições de licenciar conteúdo para jogos, a não ser que apareça um gênio dos puzzles como o criador de Lumines não consigo ver possibilidade de um aplicativo se destacar em uma delas.

Então minha opnião é essa. Não vejo nenhum motivo para desenvolver aplicativo para essas lojas. Se fosse para dedicar meu tempo e dinheiro com certeza desenvolveria para iPhone ou Android por todos os motivos já expostos nesse post, sem contar que meu aplicativo teria escopo internacional.

Market share de aplicativos móveis por app store

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