E o Windows Phone 7 vai salvar a Nokia?

E ontem como quase todo mundo que chegou aqui já deve saber a Nokia e a Microsoft anunciaram uma parceria cuja principal consequencia será a venda de smartphones rodando Windows Phone 7 pela empresa finlandesa. Até aí excelente notícia. O Symbian vem sofrendo com a concorrência e perdendo na maioria das vezes para sistemas mas sofisticados (leia-se Android e iOS). Enquanto isso a Nokia se mostrava apática e incapaz de propor uma solução que agradasse acionistas e usuários da empresa. Para muitos o tempo da Nokia havia passado junto com os celulares com o jogo da cobrinha.

Em outra dimensão não muito distante, o WP7 tem conquistado a simpatia de todos desde o seu lançamento, antes do qual a Microsoft era tida como carta fora do baralho na competição de sistemas operacionais móveis. Nada melhor então para as duas empresas do que se unirem no que ambas podiam oferecer de melhor, hardware da Nokia com software da Microsoft. Em tempo: a Nokia, ao contrário da maioria de suas concorrentes resistiu todo esse tempo a adotar o Windows Mobile ou o Android em favor do Symbian que agora parece não escapar mais da morte.

Ótimo né? Mas a parte boa da notícia termina por aqui. Na minha opinião a Nokia cometeu um deslize que pode lhe custar uma boa perda de market share nos próximos meses. O anúncio foi feito, mas apenas para ser feito mesmo. Disseram que esse ano de 2011 e o próximo (!!) serão anos de transição ou seja, não veremos um Nokia rodando WP7 tão cedo e enquanto isso os smartphones da empresas continuarão sendo vendidos com Symbian. Mas quem minimamente interessado em tecnologia e informado sobre o mundo mobile vai comprar um smartphone com um sistema operacional fadado ao abandono? Pois é, essa pergunta que tenho me feito desde ontem e não consigo pensar em outra consequencia que não seja uma evasão de novos clientes no curto prazo o que pode ser decisivo para a Nokia e para seu reerguimento com o WP7. Imagina se a Apple mostrasse hoje o iPhone 5 para começar a ser vendido em julho. Será que as vendas do iPhone 4 seguiriam no mesmo ritmo até lá? Claro que não! Bem faz Steve Jobs que sempre destaca em suas apresentações: “Disponível nas lojas dia tal”.

Enfim, não posso afirmar com certeza como os usuários mais antenados da Nokia vão reagir mas se eu fosse um deles iria querer um Nokia com WP7 pro mês que vem!

Nunca é demais lembrar que como a maioria dos posts nesse blog, trata-se da minha opnião e previsão que costuma ter tanto embasamento científico e mercadológico quanto aquelas que fazem dos artistas todo começo de ano no programa da Sônia Abrão embora, modéstia a parte, eu costume acertar mais. 😉

Todo mundo quer ter sua própria App Store

Recentemente a TIM anunciou em parceria com a Qualcomm a a abertura de uma App Store. Há algum tempo atrás (na época da Campus Party) a Vivo fez o mesmo.

Mas a questão é a seguinte: O papel de distribuir aplicativos para celulares deve ficar na mão das operadoras ou das fabricantes (seja do aparelho ou do sistema operacional)?

A resposta pode ser obtida olhando um pouco para a história. Nos Estados Unidos onde operadoras CDMA dominavam até pouco tempo (e ainda são bem fortes) a Qualcomm sempre gerenciou a distribuição de conteúdo para a plataforma Brew. Na Europa, onde reina o GSM, também houveram parcerias entre as operadoras e outras empresas para distribuição de conteúdo (houve por exemplo uma parceria entre Vodafone e Opera para desenvolvimento de Widgets para os telefones da operadora). O resultado é que nenhuma dessas iniciativas foi realmente um sucesso.

A distribuição de aplicativos para celulares só começou a bombar quando a Apple introduziu sua App Store, integrada a já bem sucedida iTunes Music Store e centralizou a distribuição de aplicativos para o iPhone e o iPod Touch. Logo consolidado o sucesso do modelo, todos os outros grandes fabricantes de plataforma para smartphones lançaram ou adaptaram suas próprias App Stores aos moldes da loja da Apple. Android tem o Android Market, Blackberry tem a App World, Palm tem o App Catalog, o Windows Phone tem o Windows Marketplace e finalmente a Nokia tem a Ovi Store.

Mas por que as lojas de aplicativos associadas aos fabricantes costumam dar mais certo que as associadas às operadoras?

APIs e SDKs

Sendo o fabricante da plataforma, as empresas podem oferecer ferramentas de desenvolvimento que permitam criar aplicativos totalmente integrados e que utilizem todos os recursos daquela plataforma. As fabricantes que além da plataforma possuem hardware relativamente homogêneo possuem mais vantagens ainda. Apple e Palm são as únicas que se enquadram nessa categoria, possuindo poucos modelos de aparelho, todos com interface touchscreen totalmente coerente entre um modelo e outro. A SDK do iPhone por exemplo, permite acessar todos os recursos da plataforma (na verdade quase todos, pois os aplicativos que não são os da Apple não podem rodar em background). Obviamente existem pequenas diferenças entre um aparelho e outro como ausência de bússsola, gps e câmera dependendo do modelo. Mas nada que se compare à vida de um desenvolverdor J2ME que precisa se preocupar com telefones de teclado e touchscreen, quantidade de teclas dinâmicas, memória e processamento, tamanho da tela e por aí vai. Esse mundo heterogêneo é uma das razões para a decadência dessa tecnologia. A ideologia Sun/Adobe de desenvolvimento multiplataforma simplesmente não funcionou com dispositivos móveis. (Pessoalmente eu tenho minhas restrições até com o desenvolvimento multiplataforma pra Desktop. Tentar fazer um aplicativo que funcione em tudo é equivalente a fazer um que não funciona direito em nada. Quem usa Mac sabe bem que nada se compara um aplicativo feito em Objective C e Cocoa. Multiplataforma bom, só se for via web!) Por outro lado, as operadores não agregam valor ao desenvolvimento de aplicativos móveis, fornecendo no máximo APIs redundantes como acesso a envio de SMS.

Divisão de Receita

Aqui a matemática é muito simples. Quanto mais camadas entre o desenvolvedor e o consumidor pior para ambos. No modelo Brew por exemplo, a receita é dividida entre o desenvolvedor, a Qualcomm e a operadora enquanto no modelo App Store é só entre a Apple e o desenvolvedor. Parece muito a taxa de 30% que a Apple cobra do valor de cada aplicativo, mas quem desenvolve para a plataforma garante que mesmo assim é o modelo mais lucrativo além de possuir aplicativos mais em conta para o consumidor final.

Distribuição Centralizada

Mesmo com suas App Stores, as operadoras possuem dificuldades de centralizar a distribuição de aplicativos. Concorrem com outras empresas e aplicativos piratas transferidos via USB. O modelo mão de ferro da Apple em relação a App Store pode não agradar todo mundo mas pelo menos consegue manter um ecossistema saudável em torno de sua plataforma.

Além desses motivos ainda tenho mais um argumento para defender minha opinião de que nossas queridas operadoras estão entrando num barco furado: Estamos no Brasil! Aqui a enorme maioria da base é pré paga e pior, celular pai de santo é o que mais tem. Então quando a TIM diz “Abranger uma base de 40 milhões de clientes” exclua uns 35 milhões. Mais um, Brasileiro não têm hábito de pagar por software. Ou pirateiam ou ficam com versões gratuitas. Mesmo no iPhone que segundo a Apple possui mais usuários dispostos a gastar com conteúdo do que de outras plataformas, não costumo ver muita gente baixando aplicativos pagos por aqui. Além do mais a internet móvel brasileira é cara e ruim e qualquer aplicativo que se preze precisa se conectar nem que seja para fazer atualização.

Aplicativos pagos e gratuitos por plataforma

Por fim, excluindo-se as tecnologias nativas de cada plataforma de smartphone sobra o J2ME que não possui nenhum aplicativo pago de sucesso além de joguinhos que pegam carona no sucesso de alguma franquia. Como o público alvo dessas lojas da TIM e Vivo são desenvolvedores independentes que não têm condições de licenciar conteúdo para jogos, a não ser que apareça um gênio dos puzzles como o criador de Lumines não consigo ver possibilidade de um aplicativo se destacar em uma delas.

Então minha opnião é essa. Não vejo nenhum motivo para desenvolver aplicativo para essas lojas. Se fosse para dedicar meu tempo e dinheiro com certeza desenvolveria para iPhone ou Android por todos os motivos já expostos nesse post, sem contar que meu aplicativo teria escopo internacional.

Market share de aplicativos móveis por app store

Novo site móvel do Twitter faz jus ao iPhone

Além dos vários aplicativo disponíveis para a plataforma, os usuários do iPhone agora dispõem de uma nova forma de interagir com o serviço de microblogging. Foi disponibilizado recentemente um novo site móvel que finalmente faz jus à capacidade do Safari Mobile, uma vez que a versão completa não funciona corretamente por causa do itens que aparecem com o movimento do mouse.

O novo site além de um visual bem mais elaborado possui ícones para responder, favoritar e até retuitar. Por essa nova interface também é possível visualizar os novos retweets, coisa que é impossível na versão antiga e ainda em vários aplicativos. Também é possível visualizar as mensagens em que foi citado, directs e favoritos. Outo aspecto que melhorou muito foi a visualização do perfil de um usuário permitindo inclusive seguir, desseguir (perdoem o neologismo) ou bloquear alguém. Dentre as funcionalidades importantes que ficaram de fora estão as listas, mas é bem provável que ainda sejam incluídas pois esse novo site ainda não foi lançado oficialmente.

Para acessar essa nova versão aponte o Safari para mobile.twitter.com. Entrando pelo endereço tradicional a versão que abre é a antiga o que indica que essa nova ainda não está preparada para o “grande público” mas vale muito a pena experimentar.

Vale lembrar que o novo site também funciona em outros navegadores móveis além do Safari então usuários de outros smartphones também podem utilizá-lo.